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Faculdade de Direito São Bernardo realiza audiência de repúdio à pichação preconceituosa

Foto do escritor: beatriz-cordeiro
beatriz-cordeiro
6 de abr. de 2018
3 min de leitura

No dia 5 de abril ocorreu a sessão que abordava o tema sobre a manifestação depreciativa aos negros e a comunidade LGBT


Reprodução / Facebook / Layla Cassimiro

A audiência de repúdio da Faculdade de Direito de São Bernardo foi realizada no dia 5 de abril, com o objetivo de discutir a declaração homofóbica e racista que foi encontrada por alunas de Direito, no dia 21 de março. A pichação apresentava os dizeres “Fora sapatão”, “Fora preta sapatão”, “Odeio preto” e um pedido para o fim das cotas. O caso foi denunciado pela aluna do quarto semestre Layla Cassimiro, que além de registrar um boletim de ocorrência pediu para que o banheiro fosse interditado.


A faculdade já tem um histórico de manifestações desse cunho desde 2015. A primeira medida tomada com o objetivo de enfraquecer esse preconceito foi a implantação da política de cotas, que ainda não existia na faculdade, em 2016. Porém nos anos seguintes o mesmo problema voltou a acontecer.


O diretor da Faculdade de Direito de São Bernardo, Rodrigo Gago, organizou uma audiência, para esclarecer o posicionamento da instituição de ensino e abrir um debate sobre o tema. "Novamente encaminhamos essa situação para a autoridade policial e estamos exigindo a investigação. Essa medida é um dever diante de uma prática que pode ser criminosa, mas para nós não é uma obstinação o conhecimento da autoria. Interessante é que se busque que não haja manifestações desse tipo dentro da instituição", diz o diretor.



Corpo docente durante a audiência./ Foto: Thais Hachul.

O corpo docente buscou apresentar propostas pedagógicas para combater a intolerância, uma vez que as medidas jurídicas se mostraram insuficientes. De acordo com a professora de Sociologia do Direito Gisele Mascarelli Salgado, é a primeira vez que a faculdade está tendo esse tipo de iniciativa. "Eu gostei muito que a faculdade está tomando pela primeira vez não só resoluções jurídicas, mas também pedagógicas. Porque o que a gente vê entre alunos e professores é que isso é uma falta de instrução, de não entender que algumas coisas ofendem. E o que a gente tem que tentar fazer é levar conhecimento e mudar um pouco o que as pessoas que fizeram essa manifestação pensam”, diz a professora, que está incluindo a discussão de gênero e de raça em sala de aula. 


O corpo docente anunciou que irá criar um curso de pós-graduação focado em diversidade racial e inclusão social, com previsão para começar em agosto. Além disso, também foi proposta a inclusão do tema em eventos realizados pela a faculdade, como debates, a Semana Jurídica e um sarau para promover essas discussões.


Porém para alguns estudantes essas medidas não são sulficientes. Para a estudante do terceiro ano Karina Garofalo, a discussão deveria ser inserida dentro da grade curricular. "Eu acredito que todas as medidas que estão sendo tomadas são extracurriculares. Então, se eu sou uma pessoa preconceituosa eu não vou querer ficar aqui de sábado à tarde para ter aula sobre uma coisa que tenho aversão. Se fizer algo extracurricular, vai vir somente quem apoia a causa, e não quem tem preconceito”, pondera a estudante. Além disso, ela ainda diz que devido a recorrência dessa agressão, quem é negro na faculdade fica com medo de se manifestar.


Já a estudante do quinto ano Mayara Villalba Abrahao apontou que somente a criação de um curso de diversidade pode não ser eficiente porque não se sabe se todos os alunos vão ter acesso. Ela sugeriu que a faculdade promova encontros sobre a homofobia e o racismo agendados no calendário acadêmico, para que possam ser feitos debates políticos sobre o assunto.  A aluna ainda ressaltou a importância de dar força à minoria. “A necessidade desse debate tem que ser acessar quem tá oprimido e não quem tá oprimindo. Quem tá oprimido precisa se fortalecer aqui dentro desse ambiente”, diz Mayara.


A necessidade de repudiar o ocorrido também foi um tema recorrente durante a audiência. O professor de Filosofia do Direito Guilherme Forma Klafke apontou que situações como essa podem ser invisíveis dentro da instituição. “É importante que nós saibamos que muitas coisas são invisíveis para a gente em razão do lugar que a gente está. E isso mostra a necessidade de visibilizar. A partir do momento que eu vejo que outras pessoas se incomodaram com aquilo, quem se sentiu violado se sente mais confortável de saber que não está sozinho”, conta.


As ideias sugeridas durante a audiência foram bem recebidas pelo corpo docente e serão estudadas para que possam ser implantadas na Faculdade de Direito de São Bernardo ao longo do ano. 

 
 
 

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